Quando temos a oportunidade de testemunhar uma tragédia tão colossal como essa, no Haiti, é que então paramos e refletimos sobre diversas coisas. É estranho como facilmente aproximamos pessoas a um número, ou como vemos uma multidão simplesmente como uma multidão, sem reconhecer cada pessoa. Estranho porque dessa forma deixamos de perceber que ali se acaba toda uma história de vida, tanto já vivida como que ainda seria vivida.
Além disso, ainda tem as dores morais, que continuam nas vidas que ainda permanecessem vivas. E essas, sim, são piores que as dores físicas. Eu daria, sei lá, uma mão pra não fazer ou passar por certas coisas, como, por exemplo, remorso. Aquela sensação de que você fez mal a alguém que você ama. Outra ruim é a decepção, tanto com pessoas como projetos pessoais. Outra, e talvez uma das piores, é a saudade. Mas não aquela saudade boa, que o que amamos passa um dia, uma semana distante e logo volta, mas a saudade que cria um vazio, daquilo que foi e não volta mais. Esse deve ser o clima no Haiti, como se não bastasse os problemas sociais e econômicos que o país vive, ainda terão que lidar com uma crise moral.
Acho que essas coisas acontecem para que então possamos rever nossa posição como seres humanos, que somos frágeis e suscetíveis a males tão facilmente. Agradeço ao bom Deus por tudo tenho. Hoje reconheço que nenhuma das condições materias que possuo foram obtidas por conquistas pessoais, mas apenas porque nasci na família que nasci. Sem dúvidas, devo eternas gratidões ao misericordioso Mestre.
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