Músicas, textos e tudo o mais que trazem consigo mensagens de paz e amor estarão sempre na moda. Na verdade, são coisas boas de se ouvir, mas às vezes paro pra pensar que na nossa mente frases do tipo "Não precisamos de mais guerra, vamos semear o amor" ou "Be the Love Generation" parecem estar distantes e apenas direcionadas para crimes, assassinatos, países em conflito, ou coisas do tipo; mas não parecem tão voltadas ao nosso dia-a-dia.
Talvez seja preciso compreender que conflitos nessa escala muitas vezes são reflexos de pequenas realidades que vivemos diariamente. É o micro se refletindo no macro. Exemplo disso é a nossa tendência de julgar e apontar para os outros sem tentarmos entender se há um porquê para a pessoa agir da maneira que age. Claro que certos caminhos vêm de escolha própria e outros podem ser evitados por uma decisão do indivíduo, mas às vezes as pessoas adquirem defeitos e uma personalidade deturpada porque as circunstâncias da sua vida o impuseram a isso e não houve uma pessoa que estendesse a mão para ajudá-lo a mudar. Quando se trata de personalidade dos outros, nós geralmente apontamos para a consequência e não buscamos a causa.
Essa pequena tendência se reflete até nos sistemas da sociedade. Sabe-se que violência e criminalidade não são somente causas, mas principalmente consequências de diversos problemas sociais(falta de Educação e etc). Entretanto, o Estado continua a investir prioritariamente em policiamento como a solução para esmagar estas questões, deixando de compreender que apenas bater na consequência é uma medida paleativa e não uma solução. Desde Canudos fazem isso. Mas sem dúvidas na maioria das vezes é mais simples e menos trabalhoso apontar ou ir direto na consequência, sem buscar a causa. Mais fácil colocar todos para se dirigirem e combaterem os efeitos como causa. Essa mentalidade do Estado não é algo distante, é apenas um reflexo dessa tendência que possuímos.
Na verdade, é preciso repensar nossa perspectiva quanto àquilo que nos parece distante, tais como o direcionamento das mensagens de paz ou até mesmo a forma de agir do governo. Que entendamos que eles podem ser apenas o micro do nosso dia-a-dia se refletindo no macro da sociedade. E que assim compreendamos que mudanças no coletivo se iniciam com o homem que está diante de nós no espelho. Que possamos dizer a ele para mudar os seus modos e que nos esforcemos para que ele o faça.