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terça-feira, 2 de março de 2010

O Ciclo do Retrocesso

Brasileiros, americanos, europeus, negros, asiáticos. Seres tão semelhantes, mas ao mesmo tempo tão distintos. Todos vivendo debaixo do mesmo céu, mas possuindo horizontes tão diferentes. Apesar de seguirmos o mesmo padrão de estrutura biológica (claro que com suas diferenças e exceções), aquilo que acreditamos foge inteiramente à essa regra. Não há um modelo preestabelecido ou qualquer influência genética quando nos referimos às nossas crenças. É verdade que a história de uma família ou povo, os seus costumes e a sua tradição cultural realmente contribuem para a forma como as pessoas irão conceber suas convicções e pensamentos, mas essa formação não é algo que já estamos predispostos a seguir.

Apesar de nascermos em meio a um pequeno planeta imerso num gigantesco universo, é incrível como as realidades sociais ao nosso redor nos envolvem de tal forma que constantemente acreditamos que o nosso mundo, o nosso horizonte, é a inteira realidade. Alguns meios sociais influenciam de maneira tão sutil que acabamos esquecendo nossa capacidade de fazer julgamentos, e sem ela os maiores absurdos se tornam aceitáveis, aquilo que antes fugia ao nosso bom senso parece ser o mais normal e as verdadeiras loucuras são tratadas como exemplos genuínos de lucidez. Viver num pequeno mundo julgando-o como grandioso foi o que limitou o ser humano por longos mil anos de Idade Média, quando viviam em pequenos feudos acreditando ser aquele um grande universo; e ainda é triste como essa idéia ainda se repete nas mentes de diversas pessoas.

Como Platão ensina no Mito da Caverna, o problema está em ficarmos presos apenas ao nosso horizonte e não querermos nos libertar daquilo que nos prende a ele. E realmente viver em ignorância é o mais fácil, pois sair daquela velha comodidade exige esforço, o que pra muitos não é algo que valha a pena. Mas é preciso abrir mão do orgulho e saber abraçar a humildade, reconhecendo que cada pessoa tem algo a nos ensinar, seja direta ou indiretamente. E assim como diria Jesus: não se põe vinho novo em odres velhos, mas o vinho novo deve ser posto em odres novos.

Portanto, renovemos a nossa mente e transformemos aquilo podemos mudar em nós mesmos e nos outros.