Brasileiros, americanos, europeus, negros, asiáticos. Seres tão semelhantes, mas ao mesmo tempo tão distintos. Todos vivendo debaixo do mesmo céu, mas possuindo horizontes tão diferentes. Apesar de seguirmos o mesmo padrão de estrutura biológica (claro que com suas diferenças e exceções), aquilo que acreditamos foge inteiramente à essa regra. Não há um modelo preestabelecido ou qualquer influência genética quando nos referimos às nossas crenças. É verdade que a história de uma família ou povo, os seus costumes e a sua tradição cultural realmente contribuem para a forma como as pessoas irão conceber suas convicções e pensamentos, mas essa formação não é algo que já estamos predispostos a seguir.
Apesar de nascermos em meio a um pequeno planeta imerso num gigantesco universo, é incrível como as realidades sociais ao nosso redor nos envolvem de tal forma que constantemente acreditamos que o nosso mundo, o nosso horizonte, é a inteira realidade. Alguns meios sociais influenciam de maneira tão sutil que acabamos esquecendo nossa capacidade de fazer julgamentos, e sem ela os maiores absurdos se tornam aceitáveis, aquilo que antes fugia ao nosso bom senso parece ser o mais normal e as verdadeiras loucuras são tratadas como exemplos genuínos de lucidez. Viver num pequeno mundo julgando-o como grandioso foi o que limitou o ser humano por longos mil anos de Idade Média, quando viviam em pequenos feudos acreditando ser aquele um grande universo; e ainda é triste como essa idéia ainda se repete nas mentes de diversas pessoas.
Como Platão ensina no Mito da Caverna, o problema está em ficarmos presos apenas ao nosso horizonte e não querermos nos libertar daquilo que nos prende a ele. E realmente viver em ignorância é o mais fácil, pois sair daquela velha comodidade exige esforço, o que pra muitos não é algo que valha a pena. Mas é preciso abrir mão do orgulho e saber abraçar a humildade, reconhecendo que cada pessoa tem algo a nos ensinar, seja direta ou indiretamente. E assim como diria Jesus: não se põe vinho novo em odres velhos, mas o vinho novo deve ser posto em odres novos.
Portanto, renovemos a nossa mente e transformemos aquilo podemos mudar em nós mesmos e nos outros.
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