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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Wake up to Reality

A sociedade humana sempre esteve e sempre estará em constante mudança. Novas idéias surgem, novos modos e novas visões de realidade são formadas a cada geração. É fácil perceber isso quando olhamos para os estilos e tendências da geração dos nossos pais e como eles parecem ridículos e até mesmo absurdos para nós hoje. Mas isso é óbvio e não é nada novo. O que é realmente interessante é o fato de que podemos fazer parte dessa mudança, e isto deveria gerar sutilmente um senso de responsabilidade dentro de nós.

Podemos não perceber, mas o mundo em que vivemos e aquilo que vemos hoje é da forma que é por conta da maneira que as gerações que vieram antes da nossa agiram e reagiram ao tempo deles na terra; como eles responderam àquilo que a realidade jogou sobre eles. Por isso, de forma sutil somos responsáveis pelo nosso momento. Às vezes nos apegamos àquilo que aconteceu ontem e focamos tanto no que vai acontecer amanhã, que acabamos por deixar esse momento passar por nós. Mas é preciso abrir os olhos e compreender que independente de idade ou papel social, temos responsabilidades sobre a realidade ao nosso redor. De uma forma direta ou indireta, algum dia essa realidade pode influenciar nossa vida.

Pensando nisso, me incomoda ver pessoas que têm sua juventude baseada apenas na máxima: “Vamos aproveitar e curtir esse momento ao máximo, afinal o que você vai contar pros seus netos?!”. E com isso em mente, a idéia é só ir passando na faculdade numa boa e ter sempre em vista o momento de extravasar. Claro que devemos aproveitar e ter momentos pra curtir, mas passar a juventude inteira tendo isso como meta principal pode ser um desperdício. Essa é a idade que temos mais energia, motivação e possibilidades diantes de nós, por isso a meta principal deve ser utilizar isso para construir um grande projeto de vida, algo digno de ser lembrado. Eu não sei você, mas eu preferiria muito mais que os meus netos olhassem pro meu passado e vissem dignidade e um legado para se inspirarem, ao invés de apenas loucuras que fiz com a galera.

Então, não troque sua individualidade pela uniformidade da multidão, assumindo como certo o pensamento coletivo de que o jovem vive só pra curtição. Saiba que o futuro será escrito de acordo com a maneira que nós respondemos ao momento que temos diante de nós. Cada um nasce na época que deve nascer e cada um é responsável pelo legado que vai deixar aqui. Esse momento é tudo o que temos. Portanto, pergunte a você mesmo hoje:

O que você construiu até agora?
Você é um exemplo a ser seguido ou pelo menos você inspira alguém?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Free will

Livre-arbítrio. Um conceito antigo, essencial e conhecido por todos. A capacidade de tomar decisões livremente e então gerar consequências boas ou ruins é a matéria-prima da vida e do mundo que vivemos hoje. Entretanto, vejo que as pessoas não entendem ou não sabem que em alguns momentos certas decisões são exigidas, e optam apenas pela passividade e espera. Creio que isso é utilizar o livre-arbítrio sem a sabedoria devida e as consequências podem ser extremamente danosas.

Exemplo disso são as paixões eternas. Conheço várias pessoas que se apaixonaram e por alguma razão não acabaram juntas ou se separaram. Grande parte delas têm algo em comum: um sentimento ainda continua. Acreditam que o tempo irá fazer esquecer e o seu papel é apenas esperar passivamente pra que isso ocorra, mas muitas vezes isso não acontece. Alguns sentimentos que temos por pessoas só são esquecidos se decidirmos esquecer. É um papel ativo, porque enquanto você não decidir esquecer de verdade, você continuará a alimentar este sentimento de forma involuntária ou até voluntária, e às vezes até nutrindo uma esperança de acontecer algo entre você e essa pessoa no futuro. Se você quer realmente se libertar desse sentimento, assuma o papel ativo de decidir esquecer, pois desta forma as suas atitudes serão direcionadas para esquecer e não alimentar o retorno do sentimento.

Isso também se aplica à experiências ruins ou frustrações com pessoas. Decidir esquecer certas experiências ou ressentimentos é um papel ativo nosso. O tempo não deve fazer isso, pois se deixarmos pra ele, a solução pode ser apenas temporária. Exemplo é quando encontramos novamente com a pessoa ou com algo que nos lembra a experiência ruim, e então as feridas se abrem e doem novamente. O problema não está em termos experiências ruins, mas deixar elas marcarem nossa vida ou nosso jeito de ser. Você não pode mudar o seu passado, mas o seu passado pode mudar você, caso você permita.

Portanto, use o seu livre-arbítrio, tome decisões. Escolha esquecer paixões sem futuro, frustrações e ressentimentos. Decida perdoar e seja livre das feridas do passado. A nossa vida é feita de escolhas. Ao darmos um passo à frente, inevitavelmente deixamos algo para trás. Então deixe para trás o que lhe prejudica e caminhe para o futuro e para novas pessoas. E dessa forma, aprenda que enquanto estivermos agarrados ao passado, nossos braços não estarão livres para abraçar o presente.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Time

Outro dia comecei a lembrar de ocasiões em que eu me reunia com alguns amigos de longas datas e de como nessas horas começávamos a recordar de experiências e épocas que havíamos passado. Ficávamos relembrando cada pequeno detalhe, cada momento, sempre com as mentes distantes e aquela saudade nas histórias. Às vezes eu saía dessas conversas pensando "Putz... Por que esses tempos não voltam?" ou em algumas perguntas desse tipo, mas só que aí acabava esquecendo-as e dizendo: Pois é. É a vida.

Mas lembrando disso hoje percebi que a nossa vida não é estática. As mudanças ocorrem dia após dia, tanto nas pessoas como no nosso presente. As responsabilidades mudam, as pessoas crescem ou tomam caminhos diferentes dos nossos, amigos vão morar em lugares distantes, nós mudamos e as coisas não voltam a ser como eram antigamente. Infelizmente, essa é uma verdade meio difícil de ser aceita, pois nós queremos que certas coisas se conservem, que momentos mágicos sejam eternos, mas essa não é a realidade. O tempo não é algo que esteja sob o nosso controle. Apenas caminhamos sobre ele em uma direção, sem podermos dar saltos para frente ou passos para trás. Contudo, há uma coisa que podemos fazer: não deixemos que os nossos melhores dias estejam no passado, mas que eles estejam sendo constantemente escritos no nosso presente.

Por isso, que nós possamos nos lembrar dos bons momentos e realmente nos alegrar com eles. Que possamos nos lamentar dos momentos ruins, sempre tentando crescer através deles. Mas que principalmente saibamos nos erguer e olhar o amanhã nascendo no horizonte, entendendo que as nossas memórias devem continuar como o que elas realmente são: o passado.

O Palco dos Atores Mascarados

Orkut, Twitter, Formspring, MSN. Idéias criativas e verdadeiras revoluções, as quais se tornaram tão populares na nossa geração que é difícil conhecer alguém que não possua uma conta num desses. A questão está no fato de que todos eles meio que induzem você a vender uma imagem própria e divulgar a sua vida e personalidade à outras pessoas, o que pode ser algo bom ou ruim. Bom porque as coisas boas que você aprende ou vive podem ser facilmente absorvidas e vistas por pessoas as quais você gostaria de atingir, mas por outro lado um problema surge quando isso se torna algo que foge ao seu controle.

Antes não via, mas hoje percebo que é mais e mais comum ver pessoas ao meu redor que valorizam excessivamente a necessidade de serem vistos e reconhecidos. Por isso, acabam fazendo quase tudo com a intenção de serem notados e elogiados. Realizam coisas sempre com a intenção de receberem calorosos aplausos pelo espetáculo que fazem das suas próprias vidas. O problema é que quando isso acontece, a pessoa pode passar a depender essencialmente de pessoas lhe observando e assistindo, e se não houver admiradores na sua platéia, um certo desespero se instala. Viver de uma maneira que as suas atitudes não tenham o objetivo de trazer satisfação própria revela uma certa crise de identidade, pois acaba existindo um vazio quando a pessoa olha para si própria e busca entender o porquê de estar fazendo certas coisas e onde se encontra a sua essência.

Além disso, o nosso verdadeiro caráter é revelado no escuro, distante dos olhares alheios, onde provamosa nós mesmos quem realmente somos. Precisamos olhar para o nosso interior e reconhecer valores e princípios que sejam nobres o suficiente para nos valorizarmos, porque à medida que nos valorizamos passamos a nos respeitar, e depois de nos respeitarmos exigimos que os que se encontram ao nosso redor nos respeitem. Não podemos requerer reverência dos outros quando não reconhecemos o devido valor que possuímos. A nobreza interior é a semente para a colheita do respeito exterior.

Portanto, que vivamos como protagonistas no palco da nossa própria existência, mas que possamos estar de rosto limpo, sendo eternamente fiéis e honestos diante da platéia que nos acompanhará pelo resto das nossas vidas: nós mesmos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Seeds and Fruits

Ano novo, metas novas. Final de ano e já ouço pessoas dizendo que 2010 não foi o ano que esperavam que seriam, e que as metas traçadas não foram alcançadas. Claro que nem tudo está ao nosso controle, mas muitas vezes a falta de sucesso pode vir por conta de decisões próprias. Para mim, 2010 foi o ano de maiores conquistas da minha vida. Foi o ano de colheita dos frutos gerados pelas sementes plantadas em 2009 e vários anos passados, tantos nos estudos quanto nos relacionamentos.

A partir disso percebo que 2011 e os anos seguintes não estão predestinados a serem bons, mas estão aguardando as nossas decisões e escolhas. Geralmente, onde você está hoje é um reflexo de suas decisões. É muito comum jogarem a culpa na falta de oportunidades, mas muitas vezes elas surgem e, por decisão nossa de não nos prepararmos, não conseguimos aproveitá-las. Nesse ano, escolha não desperdiçar as oportunidades que surgirem. Se forem pessoas geniais que você tem à sua disposição, extraia o máximo de conhecimento possível. Se forem momentos com amigos, extraia as maiores alegrias e forme as melhores lembranças. Se conhecer pessoas únicas, forme alianças eternas.

Além disso, também percebo outra coisa: o tempo não desempenha o papel de oferecer sabedoria ou experiência de vida, mas de oferecer circunstâncias em que o homem pode utilizar para adquirir esta sabedoria. A experiência não é aquilo que acontece com uma pessoa, mas o que a mesma fará com o que lhe acontece. É por isso que se vê tantos adultos e idosos imaturos e despreparados para exercerem sua cidadania, sua função social, sua função como pai ou mãe, entre outras. Se você acha que a vida irá te ensinar a viver e que o seu papel é simplesmente esperar passivamente para que isso aconteça, acorde pra realidade.

Com tudo isso, espero que nesse ano possamos entender que colheitas vêm com sementes. Não espere que 2011 seja um ano bom, faça-o bom. Plante sementes e espere os frutos. Que você também possa aceitar a responsabilidade das suas decisões, pois geralmente você colhe aquilo que você planta. Aprenda que nem sempre as suas sementes gerarão os frutos que deveriam, mas se habitue a isso. Aos nossos olhos a vida não é justa, e quanto mais cedo você entender isso, melhor. Se você espera que 2011 seja um ano diferente, comece-o de outra forma.

sábado, 20 de novembro de 2010

Reflexos Difusos

Músicas, textos e tudo o mais que trazem consigo mensagens de paz e amor estarão sempre na moda. Na verdade, são coisas boas de se ouvir, mas às vezes paro pra pensar que na nossa mente frases do tipo "Não precisamos de mais guerra, vamos semear o amor" ou "Be the Love Generation" parecem estar distantes e apenas direcionadas para crimes, assassinatos, países em conflito, ou coisas do tipo; mas não parecem tão voltadas ao nosso dia-a-dia.

Talvez seja preciso compreender que conflitos nessa escala muitas vezes são reflexos de pequenas realidades que vivemos diariamente. É o micro se refletindo no macro. Exemplo disso é a nossa tendência de julgar e apontar para os outros sem tentarmos entender se há um porquê para a pessoa agir da maneira que age. Claro que certos caminhos vêm de escolha própria e outros podem ser evitados por uma decisão do indivíduo, mas às vezes as pessoas adquirem defeitos e uma personalidade deturpada porque as circunstâncias da sua vida o impuseram a isso e não houve uma pessoa que estendesse a mão para ajudá-lo a mudar. Quando se trata de personalidade dos outros, nós geralmente apontamos para a consequência e não buscamos a causa.

Essa pequena tendência se reflete até nos sistemas da sociedade. Sabe-se que violência e criminalidade não são somente causas, mas principalmente consequências de diversos problemas sociais(falta de Educação e etc). Entretanto, o Estado continua a investir prioritariamente em policiamento como a solução para esmagar estas questões, deixando de compreender que apenas bater na consequência é uma medida paleativa e não uma solução. Desde Canudos fazem isso. Mas sem dúvidas na maioria das vezes é mais simples e menos trabalhoso apontar ou ir direto na consequência, sem buscar a causa. Mais fácil colocar todos para se dirigirem e combaterem os efeitos como causa. Essa mentalidade do Estado não é algo distante, é apenas um reflexo dessa tendência que possuímos.

Na verdade, é preciso repensar nossa perspectiva quanto àquilo que nos parece distante, tais como o direcionamento das mensagens de paz ou até mesmo a forma de agir do governo. Que entendamos que eles podem ser apenas o micro do nosso dia-a-dia se refletindo no macro da sociedade. E que assim compreendamos que mudanças no coletivo se iniciam com o homem que está diante de nós no espelho. Que possamos dizer a ele para mudar os seus modos e que nos esforcemos para que ele o faça.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Crítica da Sanidade

No início do século XVI, Erasmo de Rotterdam escreve a obra "O Elogio da Loucura". Rotterdam dizia que ao longo da História grandes mudanças ocorreram inspiradas em atos de loucura. Diziam na época que ele era um verdadeiro louco, mas hoje vejo que a loucura que ele possuía era ser racional em épocas de tanto obscurantismo. Em outras palavras, para ele o mundo mudava quando o homem parava de ter uma visão motivada apenas por emoções e tradições e enxergava a realidade utilizando o pensamento racional.

Querendo ou não, todos nós somos seres sinestésicos, ou seja, gostamos do prazer físico, sensorial, como advindos do paladar, tato e etc. Como os valores morais são construídos exatamente para dar limites à essa noção, às vezes as pessoas passam uma rasteira na moralidade e vivem um momento de amoralidade, em que tudo parece ser permitido, tal como as presentes gerações parecem estar sendo moldadas. É fácil ver que esse pode ser um caminho cego, porque essa busca frenética por prazer leva à uma certa embriaguez, e ao se "embriagar", perde-se a capacidade de continuar usufruindo de um prazer.

É possível ver isso no dia-a-dia. Comer é algo extremamente prazeroso. Entretanto, se comermos demais ficamos empazinados e não podemos comer mais, às vezes até criamos uma aversão à comida. Ou então vemos com bebida. As pessoas bebem porque isso lhes traz prazer, mas podem beber demais e ficar bêbadas. Além do vexame e do constrangimento social que pode ser a embriaguez, a pessoa não pode beber mais. Perde-se a capacidade de usufruir do prazer. É o que acontece com a sexualidade hoje em dia. Esse assunto vem sendo tratado de maneira tão aberta que acaba surgindo o problema da banalização. A relação sexual é qualquer coisa e com qualquer pessoa, perdendo a magia.

Talvez a História tenha que se repetir nos nossos dias, na qual a loucura de ser racional substitua a "sanidade" que vivemos, gerando mudanças sociais novamente. Que possamos substituir filosofias vazias de apenas "Don't worry, be Happy" pela compreensão de que princípios e valores morais são uma extrema prioridade, pois o ser humano com uma liberdade sem limites acaba vivendo um momento de libertinagem, e isso não é ser racional. Sendo assim, tenhamos cuidado para não vivermos guiados por impulsos e sentimentos, mas saibamos que é preciso fazer julgamentos utilizando o pensamento, que nos é privilégio.