No início do século XVI, Erasmo de Rotterdam escreve a obra "O Elogio da Loucura". Rotterdam dizia que ao longo da História grandes mudanças ocorreram inspiradas em atos de loucura. Diziam na época que ele era um verdadeiro louco, mas hoje vejo que a loucura que ele possuía era ser racional em épocas de tanto obscurantismo. Em outras palavras, para ele o mundo mudava quando o homem parava de ter uma visão motivada apenas por emoções e tradições e enxergava a realidade utilizando o pensamento racional.
Querendo ou não, todos nós somos seres sinestésicos, ou seja, gostamos do prazer físico, sensorial, como advindos do paladar, tato e etc. Como os valores morais são construídos exatamente para dar limites à essa noção, às vezes as pessoas passam uma rasteira na moralidade e vivem um momento de amoralidade, em que tudo parece ser permitido, tal como as presentes gerações parecem estar sendo moldadas. É fácil ver que esse pode ser um caminho cego, porque essa busca frenética por prazer leva à uma certa embriaguez, e ao se "embriagar", perde-se a capacidade de continuar usufruindo de um prazer.
É possível ver isso no dia-a-dia. Comer é algo extremamente prazeroso. Entretanto, se comermos demais ficamos empazinados e não podemos comer mais, às vezes até criamos uma aversão à comida. Ou então vemos com bebida. As pessoas bebem porque isso lhes traz prazer, mas podem beber demais e ficar bêbadas. Além do vexame e do constrangimento social que pode ser a embriaguez, a pessoa não pode beber mais. Perde-se a capacidade de usufruir do prazer. É o que acontece com a sexualidade hoje em dia. Esse assunto vem sendo tratado de maneira tão aberta que acaba surgindo o problema da banalização. A relação sexual é qualquer coisa e com qualquer pessoa, perdendo a magia.
Talvez a História tenha que se repetir nos nossos dias, na qual a loucura de ser racional substitua a "sanidade" que vivemos, gerando mudanças sociais novamente. Que possamos substituir filosofias vazias de apenas "Don't worry, be Happy" pela compreensão de que princípios e valores morais são uma extrema prioridade, pois o ser humano com uma liberdade sem limites acaba vivendo um momento de libertinagem, e isso não é ser racional. Sendo assim, tenhamos cuidado para não vivermos guiados por impulsos e sentimentos, mas saibamos que é preciso fazer julgamentos utilizando o pensamento, que nos é privilégio.
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